segunda-feira, 17 de junho de 2019

As Meninas-Prodígio - Sabina Urraca

Tudo começa quando me convidam para ver um parto. Uma mulher que praticamente não conheço deixa-me vê-la a deitar ao mundo a sua segunda filha. Todos deveríamos ver partos, penso eu. Quero escrever um artigo sobre o assunto. Quero derrubar esses falsos mitos do nascimento asséptico com uma mãe lindíssima a pegar num bebé redondo e perfeito ao colo. Tenho trinta e um anos. Nunca pari e não sei se o quero fazer, ainda assim quero vê-lo. Nasci no sistema capitalista. Quero ter tudo, ver tudo, viver tudo. Não posso perder nada… 

As meninas-prodígio é uma tragicomédia em vários actos e um conto com tons de terror gótico mas, sobretudo, um relato contemporâneo sobre a identidade que arranca num presente imperfeito para regressar a todas as idades de uma mulher.

Obra parcialmente autobiográfica, movida pelo estigma do amour fou por um homem mais velho e alcoólico, na voz de uma narradora pansexual, provocadora e sentimentalmente voraz.

Dificilmente encontraremos uma autora que questione de forma tão genuína o mundo que a rodeia, sem perder de vista a busca do seu mais íntimo centro de gravidade permanente.
O último dia da Terranova, de Manuel Rivas, e Sete Casas em França, de Bernardo Atxaga, inauguraram Confluências, uma coleção que pretende ser um abraço entre línguas, uma fantasia editorial que pretende mostrar – em português e em espanhol – obras em destaque da literatura escrita nas diversas línguas faladas na Península Ibérica e na América Latina.

 Sabina Urraca


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