sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Já Bocage não sou!

Já Bocage não sou!... À cova escura

Meu estro vai parar desfeito em vento...

Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento

Leve me torne sempre a terra dura.


Conheço agora já quão vã figura

Em prosa e verso fez meu louco intento;

Musa!... Tivera algum merecimento

Se um raio de razão seguisse pura!


Eu me arrependo; a língua quase fria

Brade em alto pregão à mocidade,

Que atrás do som fantástico corria.


Outro Aretino fui... A santidade

Manchei - ... Oh! Se me creste, gente ímpia,

Rasga meus versos, crê na eternidade!




Ver livros de Bocage (Elmano Sadino)

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