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quinta-feira, 11 de maio de 2023

E Dizê-lo Cantando a Toda a Gente Os sonetos - Florbela Espanca

Neste E Dizê-lo Cantando a Toda Gente - Os sonetos reunimos os sonetos que Florbela Espanca publicou em livro ou que parcialmente reviu antes de morrer, incluindo no mesmo volume O Livro de Mágoas, Livro de Sóror Saudade e Charneca em Flor, a que se junta Reliquiae.

Em parte incompreendida na sua época por escrever sobre temas considerados então tabu, como o amor, o sexo e a paixão, Florbela era uma poetisa de uma notável habilidade técnica e estilística, usando o soneto com mestria para nos falar de coisas universais como o amor, a dor, a angústia e a solidão, explorando conflitos internos e as emoções intensas com que todos, mas principalmente os poetas, se deparam.

Há em Florbela, escreve Jorge de Sena «dois aspectos de sedução poética: um, mais falível, ligado às imagens súbitas que encontra; outro, mais perene, menos sujeito às oscilações do gosto epocal e proveniente da nua e desassombrada simplicidade com que se queixa ou murmura)». Aos versos que emergem desta linha de sedução, chama Sena «versos rudos, de ritmo descendente, carregados de sentido que transcende as próprias palavras». E, por isso, disse Agustina Bessa-Luís que Florbela «é, sem dúvida, uma grande poetisa.»


sábado, 18 de março de 2023

Fidelidade - Jorge de Sena

«Não hei-de morrer sem saber / qual a cor da liberdade»

Fidelidade (1958) é o aprofundar de uma matriz poética mais tarde reconhecível, onde as cicatrizes de um descontentamento com a situação do mundo e do país se começam a desenhar. Sem concessões, Jorge de Sena apõe cada palavra com a precisão do arquiteto, segurando a construção do templo. Este volume conta ainda com um prefácio de Nuno Júdice.

Tudo se partiu
em cacos
nas mãos que tremem
só eu estou inteiro
mas não em mim.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

O Vazio de Um Céu Sem Hinos - David Bene

«David Bene Nasceu na cidade de Manica, Moçambique, em 1993. Poeta e prosador, escreve para diversos jornais e revistas literárias em Moçambique, Brasil, Portugal, Galiza e Japão. 

O seu trabalho está traduzido para japonês e neerlandês. É autor de Objecto Oblíquo (em coautoria com Mélio Tinga; OitentaNoventa, 2022) e Câncer (no prelo; Cavalo do Mar, Moçambique, e Exclamação, Portugal). Licenciado em Geologia pela Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique), mestre em Geologia Económica pela Universidade de Akita (Japão) e doutorado em Engenharia de Recursos Minerais pela Universidade de Kyushu (Japão). É cofundador da OitentaNoventa. 

Com O Vazio de Um Céu sem Hinos, que aqui se publica, venceu em 2021 o Prémio Vasco Graça Moura na categoria de poesia..» In contracapa.


sábado, 24 de dezembro de 2022

Travessia - Poemas para Afagar o Caos - Beatriz Aquino

«"Ao nos tornar cúmplices de seus pensamentos, a autora nos carrega para um mundo ao mesmo tempo lírico e distópico - o lugar das almas que amam -, e, contudo, nos exibe almas que espelham o nada. Seu monólogo interior nos revela uma consciência jovem, embora nos deparemos, muitas vezes, com uma senhora experiente a perceber a realidade do seu entorno" ... "Beatriz Aquino não está brincando de escrever. Da alcateia de escritores, ela sobressai- se como loba apta a permanecer entre alguns lobos mais velhos. E uiva, amaldiçoando nosso pertencer a esse universo imenso, escuro e impiedosamente eterno..."»


Ricardo Ramos Filho


Escritor e atual presidente da UBE - União Brasileira de Escritores.


Do prefácio à Caligrafia Selvagem.»


In contracapa Travessia - Poemas para Afagar o Caos

terça-feira, 29 de novembro de 2022

O Tempo é Uma Mãe - Ocean Vuong

Neste livro de poemas, Ocean Vuong procura o significado da vida por entre os destroços deixados pela morte da mãe, refletindo sobre o paradoxo de permanecermos sentados com mágoa ao mesmo tempo que procuramos a determinação necessária para a ultrapassar.

Mergulhando em memórias, e em sintonia com os temas de Na Terra Somos brevemente Magníficos, Vuong debruça-se sobre a perda, o significado da família e o custo de ser um produto resultante de uma guerra na América. O resultado é uma abordagem inovadora e corajosa, tanto em relação à linguagem como à forma, que ilumina os principais temas que hoje nos atormentam.

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Os Poemas - Paul Celan

Neste volume reúnem-se, pela primeira vez em Portugal, todos os livros publicados em vida, o conjunto de mais de uma centena de poemas não incluídos e dispersos do seu espólio e, ainda, um ciclo fragmentário que o poeta não teve a oportunidade de terminar. 

Fruto de pesquisas e sucessivas traduções ao longo de 50 anos, Maria Teresa Dias Furtado dá-nos finalmente a oportunidade de ler Paul Celan na íntegra.


Vendido
por todos,
como cada um de nós
escrevendo
a verdade.


sábado, 27 de agosto de 2022

Três Gerações em Poesia - Mário Jorge Ferreira

«Este livro de poesias, é sobretudo uma homenagem póstuma ao grande poeta e meu bisavô Eugénio Sanches da Gama que, eu, infelizmente, nunca tive a honra de conhecer, face às diferenças geracionais.

Mas, também o é, à minha tia Maria Beatriz Sanches da Gama, uma grande Mulher e poetisa que, para além da sua humanidade plena de humildade, sinceridade e inteligência, sempre foi um ser humano que me apoiou e incentivou em todos os momentos difíceis da minha vida.»

in Prefácio

sábado, 30 de julho de 2022

Quem Nunca? - Teresa Lima

Quem nunca chorou,

Na calada da noite,

Uma lágrima amargurada

Que no coração entrou.

E doeu tanto assim

Que parecia não ter fim!

E a noite mais fria

Mais longe esquecida…

sábado, 2 de julho de 2022

Paraíso - Pedro Eiras

Paraíso encerra o tríptico iniciado com Inferno (2020) e Purgatório (2021), três livros de poemas em torno da obra-prima de Dante Alighieri. Neste último volume, assistimos à barbárie dos homens, ao anúncio do fim dos tempos, mas um apelo persiste nos últimos cantos, onde a poesia dos grandes mestres é convocada para ascender às últimas esferas do céu.


Mas se os anjos abrem os livros,

burocráticos,

com a pena em riste,

e a tinta vermelha,

irrevogável,

a riscar cada corpo

deste mundo desolado

(com tão justa causa,

que só peca por tardia),

por mim, escolheria

esta pequena sombra

para meu advogado.

sábado, 4 de dezembro de 2021

Uma Pequena Luz Vermelha e Outros Poemas -João Pedro Mésseder

Uma Pequena Luz Vermelha e Outros Poemas, o livro que agora se apresenta, engloba assim, na sua primeira parte, os poemas do pequeno livro premiado em 1999, e apenas esses, tendo sido mantidos os títulos originais.

Para a segunda parte transferi a maioria dos poemas que haviam sido acrescentados na edição ilustrada do Porto (apenas retirei dois que, por razões diferentes, me pareceram deslocados do conjunto) e integrei-os numa sequência da qual faz parte um considerável número de composições escritas posteriormente.

Reúne-se, aliás, em Uma Pequena Luz Vermelha e Outros Poemas, poesia composta ao longo de duas décadas e meia, atravessada toda ela por um veio ideotemático que creio conferir-lhe coesão. Foram feitos ajustes e alterações em vários dos textos já vindos a lume quer nos mais antigos quer noutros, alguns deles saídos em publicações periódicas e obras colectivas.

domingo, 30 de maio de 2021

Corpo Casa - Rupi Kaur

Em corpo casa, rupi kaur conduz-nos numa viagem íntima e ponderada ao passado, ao presente e ao potencial do nosso eu. é um conjunto de conversas diretas e despojadas consigo mesma - e um apelo para que nos deixemos invadir pelo amor, para que nos deixemos envolver na aceitação, na comunidade, na família e abracemos a mudança. moram nesta casa luzes e sombras, tudo aquilo com que nascemos, tudo aquilo que o mundo fez de nós. com ilustrações da autora, este é o terceiro livro de rupi kaur, o maior fenómeno mundial da poesia contemporânea.



mergulho no poço do meu corpo

e acabo noutro mundo

tudo o que preciso

já existe em mim

não é preciso

procurar noutros lugares

- casa

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Perseguição - Jorge de Sena

Perseguição (1942) é o primeiro livro da longa produção poética de Jorge de Sena, cuja publicação a Assírio & Alvim agora inicia. 

Nesta sua primeira coleção de poemas, Sena parece libertar a poesia portuguesa de uma aparente asfixia trazida por Pessoa, reinterpretando o lugar do eu poético face ao mundo observado e subvertendo um certo sentimentalismo lírico:

Ah meu Deus! Se toda esta tristeza,
se toda esta consciência amarga do desprezo alheio,
se toda esta raiva contra mim,
se toda a melancolia que essa raiva me deixa,
são unicamente para que saia um poema…
Podes ter a certeza que o esmago.

sábado, 3 de abril de 2021

Tristia - António Cabrita

A eloquência de António Cabrita faz-se de uma constante impertinência. É rotunda a perturbação que certa coloquialidade bruta, não polida, acarreta ao luxo do pensamento, à extensão vocabular e ao inesperado da imaginação. Caracterizado por uma brilhante, cada vez mais isolada, sofisticação e riqueza de referências e imagética, há também algo ostensivamente mundano no modo de Cabrita que ironiza a tentação erudita e reclama uma fascinante coisa de rua, boémia, informal, de contracultura, combatendo sempre o mais confiável ou expectável, o papel do comportado ou perfeitamente definido.

Tristia pode ser a obra suprema da impressionante poesia de António Cabrita. Poemário de longo fôlego, e a capacidade para longas orações já é outra das suas naturezas, este livro confirma uma e outra vez que estamos perante um dos mais elevados lugares da poesia actual. Por sua mestiçagem sem trégua, por sua liberdade, aqui está uma bandeira fundamental da poética da língua portuguesa.

Valter Hugo Mãe

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Obra poética - II - Artur do Cruzeiro Seixas

«Artur do Cruzeiro Seixas é agora um homem com o tamanho de cem anos. Cada um dos seus gestos é um século em movimento. Penso nisso em todos os encontros, penso em como os génios sempre independem do tempo e se definem pelo incrível.

Na ansiedade de Cruzeiro Seixas, essa imparável pulsão começadora, nada se exclui. Tantas vezes lhe ouvi o protesto contra qualquer existência estúpida, aquela incapaz do sensível e do criativo, aquela incapaz da humanização que a arte e o conhecimento comportam. Para o grande e genial mestre a vida é uma gula que se revela em todas as formas de maravilha, a partir do fascínio ou do susto, a partir do belo e do que se torna belo em seu genuíno tremendismo.

A elogio da sombra repõe agora os volumes organizados por Isabel Meyrelles e que atónito, há umas décadas, encontrei inéditos na casa do mestre, ainda na carismática casa da Rua da Rosa. Mais adiante, daremos à estampa um quarto volume recolhendo os poemas dispersos. Nesta vasta obra se encontra um surrealismo pleno, a relação mais indomável que ao espírito humano revela sobretudo o que tem de inexplicável e, ainda assim, profundamente necessário.

Uma das figuras maiores do surrealismo do mundo, Artur do Cruzeiro Seixas ergue a poesia como "a boca que olha". Tão feita do improvável quanto de presciência. Graça alquímica. A transcendência dos que foram eleitos para ver.»

Valter Hugo Mãe


terça-feira, 10 de novembro de 2020

Poemas Dramáticos e Pictopoemas - Mário Cesariny

Poemas Dramáticos e Pictopoemas, de Mário Cesariny, é o volume que reúne o teatro, poemas dramáticos e pictopoemas do autor. Além das já conhecidas peças Consultório do Dr. Pena e do Dr. Pluma, Um Auto para Jerusalém, Titânia e o guião cinematográfico A Norma de Bellini, este livro inclui ainda três peças nunca antes publicadas em livro: Projecto de Rebelião, O Processo e Projecto não Terminado para Teatro Radiofónico. O prefácio é de Perfecto E. Cuadrado.

«Dizemos “poemas dramáticos”, e devemos assinalar duas questões prévias: que, afinal, e falando do autor Mário Cesariny, tudo nele era e é poesia, incluindo a “literatura” que Verlaine afastou para uma geografia diferente, e incluindo também (segunda questão) a pessoa e a personagem do autor, isto é, o actor Mário Cesariny, histrião maior da República que transformava o mundo à sua volta em palco universal para as suas encenações e representações, onde palavras, gestos, movimentos e silêncios reabilitavam para todos nós — espectadores e parte do sentido final do espectáculo — uma realidade que, à boa maneira pessoana, precisava dessa transmutação alquímica para ser definitiva e absolutamente real.

[...] Parafraseando André Breton: nem limites nem fronteiras no vasto território da Poesia, diverso e uno. Com essa ideia abrangente, decidimos organizar este volume dedicando a segunda parte às justaposições, conjunções, fusões e confusões da poesia plástica e da poesia verbal, da palavra e da imagem.» [do Prefácio]

sábado, 10 de outubro de 2020

Dias e Dias - Adília Lopes

Mais do que a experiência de um confinamento entre quatro paredes, em Dias e Dias, Adília Lopes constrói um diálogo entre as memórias, presentes e passadas, dos objetos, das divisões da casa e as ruas, as flores e os edifícios que povoam estas páginas de reflexão: «Vem aí a macacoa, a miséria? Por enquanto aqui ainda tenho paz.»




sábado, 12 de setembro de 2020

Poesia - Luís Miguel Nava

Após um longo hiato editorial, é publicada a Poesia de Luís Miguel Nava, numa cuidada edição preparada por Ricardo Vasconcelos, autor do livro Campo de Relâmpagos — Leitura do excesso na poesia de Luís Miguel Nava, também publicado pela Assírio & Alvim há alguns anos. A presente edição incluirá alguns inéditos e dispersos.
«Era há muito desejada a reedição da obra de Luís Miguel Nava, desaparecida das livrarias há vários anos, apesar do interesse que nela continua a existir não só em Portugal, onde os seus livros se esgotaram sucessivamente, mas também no Brasil. A relevância da edição da Poesia que agora se apresenta é de assinalar por não só incluir todos os poemas que o autor publicou em vida, mas também por trazer a público um conjunto muito substancial de textos inéditos ou parcialmente inéditos […], que são apresentados devido à sua qualidade e ao facto de contribuírem para uma compreensão mais global da escrita de Nava.»

 Poesia


terça-feira, 11 de agosto de 2020

As Sílabas de Amália - Manuel Alegre

A 23 de julho celebra-se o centenário do nascimento de Amália Rodrigues. Num texto sobre Amália, publicado no livro Uma Outra Memória e incluído nesta obra de homenagem, escrevia assim Manuel Alegre: «Todo o canto, como a poesia, é uma questão de ritmo. Ou de batida. O ritmo de Amália é o ritmo das marés, a sua batida a do nosso mar. Ela podia cantar flamenco ou tango, espirituais negros ou jazz, podia entoar uma fuga de Bach, trautear as incomparáveis harmonias de Mozart. Mas ela canta isso tudo e um pouco mais. Canta o fado no sentido em que dele fala Camões. Quando ela diz fado está a dizer o nosso próprio nome e pronuncia essa palavra com a mesma entoação que provavelmente Camões lhe dava. Suspeito mesmo que foi para ela que Camões escreveu alguns dos poemas que Alain Oulman transformou em fado.»

As Sílabas de Amália é uma obra singular que reúne os quatro poemas de Alegre que Amália cantou, os que sobre ela escreveu e aqueles que exprimem uma visão do fado que, em grande parte, o poeta ficou a dever a Alan Oulman e a Amália Rodrigues. Inclui, ainda, um poema inédito de tributo a Amália.

 Manuel Alegre


domingo, 26 de abril de 2020

Só - António Nobre

Só

"Ouvi-os vós todos, meus bons Portugueses!
Pelo cair das folhas, o melhor dos meses,

Mas, tende cautela, não vos faça mal…
Que é o livro mais triste que há em Portugal!"


De tristeza não se reveste apenas o Só, mas também de memórias de uma infância feliz no Norte provinciano e popular: os pescadores, os pregões e a praia de Leça; as romarias, as procissões, os sinos da igreja e os aldeões do Seixo…

 António Nobre


SUGESTÃO

Inferno de Dan Brown

A Cicatriz - Maria Francisca Gama

«Éramos felizes, verdadeiros camaradas e a âncora um do outro. Um dia o nosso barco afundou-se e nenhum dos objetos que éramos nos salvou.» ...