quarta-feira, 17 de abril de 2019

Giz Preto - Gonçalo Fernandes

EPIFANIA COMANECI

Nas Olimpíadas realizadas em Montreal no ano de 1976 
os júris das provas de ginástica em barras assimétricas 
e o resto do mundo (excepto os placards electrónicos) 
por várias ocasiões consideraram desprezáveis 
todas – mas todas! – as máculas naturais e terrenas 
de Nadia Comaneci 

O próprio Movimento sorriu pela primeira vez 

Metade do Tempo gelara de comoção na barra superior 
de punhos fechados sob uma intocável verticalidade 
quando o Tempo Restante efectuou a sua saída pela paralela 
sem mãos 
a voar 

Foi a última vez que o Movimento derramou uma lágrima 
e essa lágrima não era de ouro 
mas de água e sal 
como as lágrimas humanas 

Foi em 1976, nos Jogos Olímpicos de Montreal, Canadá 
Menos de um minuto de Nadia Comaneci 
a sós com duas barras paralelas assimétricas 
e o resto é paisagem –

o século

 Giz Preto


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